02/10/2017 - Por: Portal JB / EBC

Das redes sociais às ruas, pessoas do mundo inteiro costumam aderir ao rosa, de corpo e alma, em prol do movimento que começou a surgir em 1990 na primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York. Entretanto, foi a partir de 1997, também nos Estados Unidos, que se iniciou o movimento Outubro Rosa, onde o objetivo era promover atividades voltadas ao diagnóstico e prevenção do câncer de mama. 

Hoje, o movimento é realizado em todo o mundo. O nome remete à cor do laço rosa que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades.

No Rio, a Fundação Laço Rosa é a instituição responsável por iluminar o Cristo Redentor, desde 2011, com o apoio da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Justamente com este laço, a ONG (http://www.fundacaolacorosa.com), comemorando o rosa do Cristo em prol do movimento, promove no na terça-feira (3) na mesma noite, a partir das 20h, no Sofitel Ipanema, o Coquetel Outubro Rosa, festa que já faz parte do calendário do Rio.

O objetivo da festa, seguida da iluminação do monumento, além de arrecadar fundos para a Fundação, é chamar atenção para esta doença que mata por ano, aproximadamente mais de 15 mil brasileiras e, no mundo, mais de 40 mil, dentre os mais de 200 mil novos casos anuais. Hoje, quase 50% das pacientes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) descobrem o câncer em estágio metastático, ou seja, quando não há mais tratamento. Para 2017, o Instituto Nacional do Câncer estima que serão diagnosticas mais de 57.820 novos casos.

Também a partir deste domingo (1/10) até o próximo dia 26, o bondinho do Pão de Açúcar, símbolo de um dos mais tradicionais cartões-postais do Rio de Janeiro, receberá iluminação especial na cor rosa, para celebrar o mês. A ação é organizada pela Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI), por meio da Subsecretaria de Políticas para Mulheres. Segundo disse à Agência Brasil o titular da SEDHMI, Átila Nunes, “são quase quatro semanas para reforçar a conscientização das mulheres com relação a esse tema, servindo de incentivo para que procurem o médico, uma vez que hoje há mais de 95% de probabilidade de cura se o problema for descoberto bem cedo”.

Com essa ação, a secretaria se soma a várias outras iniciativas que ocorrerão ao longo do mês de outubro para destacar a importância do diagnóstico e do tratamento precoce do câncer de mama. Átila Nunes ressaltou que toda mulher deve ser incentivada a realizar o autoexame e a mamografia.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), um a cada quatro tipos de câncer que afetam as mulheres é de mama. O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), do Ministério da Saúde, estima que entre 2016 e 2017, surgirão no Brasil quase 58 mil novos casos da doença.

Responsável por iniciar a participação do Inca no movimento, o ex-diretor-geral do órgão, Luiz Antonio Santini, ressaltou, em entrevista à Agência Brasil, a importância do Outubro Rosa. Ele defendeu que o movimento tem que ser esclarecedor e não estimular somente um único exame, como durante algum tempo foi a mamografia.

"O câncer de mama é o mais comum nas mulheres e é o de que elas mais morrem no mundo todo. Só que a possibilidade de cura aumentou muito nos países da Europa, Estados Unidos e Japão, principalmente, mas não aconteceu a mesma coisa nos países do hemisfério Sul”, afirmou. A seu ver, o que mais chama a atenção é que a mortalidade não se expressa de maneira semelhante entre as diversas camadas de renda da população. “Ela é muito maior entre as camadas de renda mais baixa. Isso reflete o acesso ao tratamento em tempo adequado”.

Por isso, na sua opinião, o Outubro Rosa é um movimento importante para esclarecer as mulheres sobre as possibilidades de detetar precocemente e "até de curar o câncer de mama, ou de obter uma expectativa de vida com qualidade por mais tempo. É preciso que as mulheres procurem médicos especialistas e realizem outros exames específicos. Não pode focar só na mamografia, que é somente um componente do processo e, infelizmente, não é o melhor”, recomendou.

Segundo Santini, apesar de todos os avanços ocorridos nesse campo, ainda existem pontos do conhecimento que necessitam ser clareados. Ele citou a importância de identificar subtipos de câncer de mama, de modo que o tratamento seja mais facilitado e mais dirigido para aquele determinado tumor. O ex-diretor-geral do Inca insistiu que a mamografia não faz prevenção de câncer de mama; ela ajuda na detecção precoce do câncer.

Outubro Rosa
O movimento nasceu nos Estados Unidos, na década de 1990, visando estimular a participação da população no controle do câncer de mama. Em 1991, a Fundação Susan G. Komen for the Cure lançou o laço cor-de-rosa, que foi distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova Iorque. A data é celebrada anualmente em todo o mundo no mês de outubro, com a meta de compartilhar informações sobre o câncer de mama e promover a conscientização sobre a importância da detecção precoce da doença.

Na próxima quarta-feira (6/10), a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos promove ação no Campo de Santana, região central da capital fluminense, onde distribuirá material informativo para a prevenção do câncer de mama e de útero. O ato ocorrerá a partir das 9h.