30/08/2017 - Por: G1

Ano a ano, o número de fumantes no Brasil e no mundo vem diminuindo, assim como o índice de pessoas que respiram a fumaça de cigarros alheios. A quantidade de fumantes passivos em ambientes domiciliares caiu 42% em 8 anos.

O dado integra a última edição da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) e foi divulgado nesta terça-feira (29), data em que é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo.

“Estamos comemorando 42% de redução de exposição de fumantes passivos nas residências. Esse é o dado mais relevante desta solenidade”, afirmou o ministro da saúde, Ricardo Barros.

Segundo o levantamento, Aracaju, Porto Velho e São Paulo são as capitais que apresentaram a menor prevalência de fumantes passivos no ano passado, com 5,1%, 5,6% e 5,8%, respectivamente. Porto Alegre, no entanto, teve o maior percentual (10,4%), no mesmo período.

O estudo apontou também que a frequência de fumantes passivos em ambientes familiares foi mais alta entre os jovens, de 18 a 24 anos, em ambos o sexo. “Precisamos atuar para evitar que principalmente os jovens façam uso do tabaco”, disse Ricardo Barros.

Para chegar a essas conclusões, a pesquisa entrevistou 53.210 pessoas nas 26 capitais do país e no Distrito Federal. Em 2009, 12,7% dos entrevistados eram fumantes passivos e, no ano passado, passou a ser de 7,3%.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2013, o tabagismo passivo foi a terceira maior causa de morte evitável no mundo, perdendo para tabagismo ativo e consumo excessivo de álcool. O Ministério da Saúde informou que, em 2015, 17.972 pessoas morreram em decorrência da fumaça do cigarro.

Estudos coletados pelo Ministério da Saúde apontam que a exposição à fumaça do tabaco está relacionada ao aumento do risco de câncer de pulmão, de infarto, e de várias doenças graves.


Redução de Fumantes
O número de usuários de produtos derivados do tabaco também caiu de 15,7%, em 2006, para 10,2% em 2016, conforme indicou a pesquisa de Vigitel. A parcela de homens fumantes no país corresponde a 12,7%; entre as mulheres o índice é de 8%.

Quando analisada por faixa etária, a pesquisa revelou que é menor a frequência de fumantes entre adultos jovens antes dos 25 anos (7,4%), ou após os 65 anos (7,7%), e maior na faixa dos 55 a 64 anos (13,5%).

Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2015, o tabagismo foi responsável por 156.216 mortes. Por dia, 428 pessoas morrem por causa do consumo do tabaco.


Luta contra aditivos

O processo que julga a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) proibindo o uso aditivos de sabor em cigarros (como mentol, cravo e canela) está parado no Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2012. Nesta terça, o governo reafirmou o posicionamento a favor dessa proibição.

A indústria do tabaco conseguiu liminar em 2013 para dar continuidade à oferta de cigarros com aditivos.


Benefícios ao parar de fumar

Deixar de fumar é um desafio, mas os benefícios de largar o cigarro ajudam a melhorar e muito a qualidade de vida. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), após 20 minutos sem cigarro, a pressão sanguínea é normalizada, e cinco anos depois os riscos de infarto se igualam ao de pessoas que nunca fumaram.

Uma das maiores dificuldades é que o tabagismo é considerado uma doença pelo Inca, já que causa dependência química. Desse modo, parar de fumar pode acarretar em sintomas desagradáveis. Contudo, o fumante pode adotar estratégias para superá-los e vencer a dependência:

1. Eleger uma data para parar de fumar. O ideal é que nesse dia o fumante procure atividades relaxantes para se distrair.

2. Inserir novas atividades à rotina como substitutas ao cigarro, como caminhada. Manter-se ativo é sempre a melhor opção.

3. Evitar lugares com muitos fumantes, para evitar a vontade de fumar.

4. Evitar consumo de café e bebidas alcoólicas que podem aumentar o desejo pelo cigarro.

5. Substituir o cigarro por outros alimentos quando a vontade de fumar o acometer, como uma fruta, tomar água ou mesmo escovar os dentes.

6. Se a vontade for muito intensa, outra estratégia é manter as mãos ocupadas com um elástico ou desenhando.

7. Crie um sistema de recompensas. O dinheiro que seria gasto com o cigarro pode ser guardado e, ao fim de uma semana, o acumulado pode ser usado para adquirir algo que se goste.

8.Identificar os gatilhos na rotina: quais as atividades que estão associadas ao hábito de fumar.

9. Ao tomar a decisão de parar de fumar, livrar-se de todos os isqueiros, cinzeiros e cigarros.

10. Buscar apoio médico, que pode encaminhar tratamentos como terapias e indicar medicamentos que ajudem a lidar com a ansiedade.