28/03/2016 - Por: Portal Brasil

O Ministério da Saúde lança esta semana o edital que garantirá a aplicação imediata de R$ 20 milhões para pesquisas contra o Aedes aegypti e as doenças transmitidas pelo mosquito: dengue, zika e chikungunya. Os recursos vão financiar estudos na área do controle do vetor, diagnóstico, prevenção e tratamento, dentro das ações do Eixo de Desenvolvimento Tecnológico, Educação e Pesquisa do Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes aegypti e à Microcefalia do governo federal.


Em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, o Ministro da Saúde anunciou que o teste com a bactéria Wolbachia realizada em parceria com a Fiocruz, iniciará uma nova fase. Esta semana, representantes da Fundação Bill Gates chegarão ao Brasil para definir os próximos passos da pesquisa. Cidades como Rio de Janeiro e Niterói estão sendo estudadas como potenciais locais para a liberação do mosquito.

Já foram feitos estudos pilotos na Ilha do Governador, no Rio, e em Jurujuba, Niterói. Agora, a ideia é fazer a pesquisa contemplando toda a área territorial de uma cidade e com uma população maior. Quando presente no Aedes aegypti, a bactéria é capaz de impedir a transmissão da dengue pelo mosquito. A proposta é usar os mosquitos como uma alternativa segura e autossustentável para o controle da dengue e de outros vírus, como zika e chikungunya. A iniciativa também está sendo realizada na Austrália, Vietnã, Indonésia e Colômbia.

Pesquisas
A previsão do Ministério da Saúde é investir um total de R$ 258 milhões em novas tecnologias nos próximos quatro anos dentro do eixo do Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes aegypti e à Microcefalia. Até o momento, a pasta já se comprometeu com cerca de R$ 130 milhões para o desenvolvimento de vacinas, soros e estudos científicos para as doenças causadas pelo Aedes aegypti.

Entre os projetos em andamento pelo Ministério da Saúde estão a produção de 500 mil testes nacionais de biologia molecular para a realização de diagnóstico de dengue, chikungunya e zika pela Fiocruz. Hoje, o Brasil possui um teste para identificar cada doença, pois em cada processo são usados reagentes importados e, para descartar a presença da dengue e chikungunya, é necessário realizar cada exame separadamente.

Além disso, o Ministério da Saúde irá repassar R$ 11 milhões para a Fiocruz desenvolver pesquisa e vacina contra o vírus Zika. Do total, cerca de R$ 6 milhões serão destinados para projetos de cooperação bilateral para pesquisas sobre o vírus zika e microcefalia entre a Fiocruz e o National Institutes of Health (NIH). Os outros R$ 5,6 milhões serão para o desenvolvimento da vacina contra o zika vírus.

Também está sendo analisada a inclusão do zika vírus no teste NAT realizado nas bolsas de sangue em todo o País. O estudo será feito pelo Laboratório Biomanguinhos da Fiocruz, no Rio de Janeiro, que já detém a plataforma NAT no País, e a celeridade dos processos de registro ficarão a cargo de parceria firmada entre Anvisa e o FDA, agência reguladora dos Estados Unidos.

Outras parcerias entre os dois países estão em andamento, como a firmada com a Universidade Medical Branch, do Texas, para o desenvolvimento da vacina com o zika vírus. A parceria no Brasil para desenvolvimento da vacina será com o Instituto Evandro Chagas (IEC), órgão vinculado ao Ministério da Saúde. O governo brasileiro vai investir aproximadamente R$ 10 milhões nesse programa.

Para financiamento da terceira e última fase da pesquisa clínica para a vacina da dengue do Instituto Butantan, o Ministério da Saúde investirá R$ 100 milhões nos próximos dois anos para o desenvolvimento do estudo. Além da pasta, outros órgãos do governo federal devem colocar mais R$ 200 milhões. Também foi assinado, na mesma ocasião, investimento por parte do Ministério da Saúde de mais R$ 8,5 milhões no desenvolvimento de soro contra o zika vírus.