07/05/2018 - Por: G1
Algoritmo foi capaz de prever diagnóstico clínico com 95% de acerto (Divulgação)
O diagnóstico do transtorno do espectro autista (TEA) pode ser realizado mesmo em bebês a partir dos três meses com exames de eletroencefalograma (EEG), aponta estudo publicado na revista inglesa Scientific Reports. O feito é importante porque o diagnóstico do transtorno é um desafio, sobretudo nas primeiras fases da vida. De acordo com Charles Nelson, co-autor do estudo e diretor do laboratório de neurociência cognitiva do Boston Childrens Hospital, o EEG tem baixo custo, é não invasivo e fácil de ser incorporado nos checkups dos bebês.
"Sua possibilidade de diagnóstico precoce da possibilidade de uma criança ser autista levanta a possibilidade de intervenção muito cedo, antes do surgimento dos sintomas comportamentais mais evidentes. Isso pode melhorar os resultados e até prevenir alguns dos comportamentos associados ao TEA" - Charles Nelson
O estudo analisou um banco de dados (Infant Screening Project) mantido em conjunto pelo hospital e pela Universidade de Boston, que mapeia o desenvolvimento de crianças e o identifica o risco de desenvolver o TEA ou ter complicações de comunicação.
O trabalho está baseado em uma nova forma de analisar os eletrocardiogramas. William Bosl, professor associado da área de informática e saúde e psicologia clínica da da Universidade de São Francisco, também participa do programa que pesquisa as aplicações da computação e informática à saúde do Boston Childrens Hospital. Ele vem trabalhando a quase dez anos em algoritmos capazes de interpretar os sinais dos EEGs. Bosl avalia que mesmo os EEG considerados normais dados profundos que refletem o padrão cerebral e que podem ser avaliados em programas específicos.
Com base nos dados do projeto, os pesquisadores receberam resultados de eletrocardiogramas de 99 bebês considerados de alto risco para TEA e 89 de baixo risco. Para cada criança havai sete EEGs que foram feitos ao longo de um período que foi dos 3 aos 36 meses de idade. Os algoritmos conseguiram prever o diagnóstico clínico positivo para TEA com taxa de acerto de 95% em algumas faixas etárias.
"Os resultados foram impressionantes", diz Bosl. "Nossa acurácia preditiva aos 9 meses de idade foi de quase 100%. Também conseguimos prever a gravidade do TEA com confiabilidade bastante alta, também já aos 9 meses de idade", afirmou o pesquisador.






