05/08/2021 - Por: G1 - Globo.com EU ATLETA

O envelhecimento é um processo natural, complexo e predeterminado que está associado à senescência reprodutiva na maioria dos vertebrados, incluindo mamíferos de ambos os sexos. Nos anos finais da vida reprodutiva da mulher, acontece a perimenopausa ou a transição da menopausa, período relacionado a profundas mudanças reprodutivas e hormonais. É tanto endócrino por conta mudanças hormonais quanto neurológico, específico do sexo feminino na meia-idade, que culmina com a senescência reprodutiva, ou seja, declínio reprodutivo relacionados com a idade. Todas as mulheres passam pela menopausa ao longo da vida, seja por meio do processo natural de envelhecimento endócrino, seja por meio de intervenção médica.

Além de ser um estado de transição reprodutiva, a menopausa é também uma transição neurológica. Muitos dos sintomas são de natureza neurológica, como ondas de calor, sono perturbado, alterações de humor e esquecimento.

Já foi demonstrado que o declínio do estrogênio (hormônio feminino) após a menopausa está associado a um risco aumentado de doenças cardiovasculares, osteoporose, câncer, diabetes, derrame, distúrbios do sono, Doença de Alzheimer e declínio cognitivo.

Perimenopausa x menopausa

A perimenopausa se refere ao período de tempo imediatamente antes do início da menopausa. Durante a perimenopausa, o corpo da mulher está iniciando a transição para a menopausa: a produção de hormônios pelos ovários começa a diminuir. O ciclo menstrual pode se tornar irregular, mas não cessará durante a fase da perimenopausa. Já a menopausa é quando não há nenhum ciclo mentrual por 12 meses consecutivos.

Menopausa e o cérebro humano

Durante a transição da menopausa, os hormônios sexuais, especialmente o 17β-estradiol, um tipo de estrogênio, diminuem substancialmente no corpo e no cérebro. Novas evidências mostram que a perimenopausa é pró-inflamatória e perturba os sistemas neurológicos regulados pelo estrogênio, gerando um amplo impacto dos declínios de estrogênio nos sistemas neurais, como quantidade de neurônios, formação de sinapses neuronais, entre outros.

Além disso, a depleção de estrogênio foi associada ao acúmulo de placa beta-amilóide (Aβ), uma marca registrada da doença de Alzheimer (DA), em animais fêmeas.

Reposição hormonal

Ainda não está claro se a terapia de reposição hormonal na menopausa fornece proteção contra o envelhecimento cognitivo e a Doença de Alzheimer. Contudo, estudos encontraram efeitos positivos sobre a cognição em vários regimes de terapia hormonal, enquanto os ensaios clínicos de mulheres de 65 anos ou mais relataram um risco aumentado de demência quando iniciada a terapia hormonal com estrogênio + progesterona.

Acredita-se que a eficácia da terapia de reposição hormonal dependa do momento do início do tratamento em relação à idade na menopausa, com benefícios quando iniciada precocemente. Lembrando que é crucial a orientação e acompanhamento de um médico capacitado para realizar a terapia de reposição hormonal.

Exercícios e menopausa


Com número significativo de mulheres na menopausa, é imperativo planejar um programa de saúde abrangente a essas mulheres, incluindo modificações no estilo de vida. O exercício é parte integrante da estratégia. Os benefícios são muitos. O mais importante é a manutenção da massa muscular e, portanto, da massa óssea e da força.

O programa de exercícios para mulheres na pós-menopausa deve incluir exercícios de resistência (aeróbicos), exercícios de força e exercícios de equilíbrio. Aeróbicos e exercícios de resistência são eficazes para aumentar a densidade mineral óssea da coluna em mulheres na pós-menopausa.

Nunca é tarde para começar a se exercitar. O segredo é começar devagar e fazer as coisas que gosta, como caminhar, andar de bicicleta, trabalhar vigorosamente no quintal, nadar, fazer exercícios aeróbicos ou frequentar aulas de ginástica em grupo. O exercício regular pode ajudar a melhorar o bem-estar geral. Mesmo a atividade física moderada, como simplesmente mover o corpo o suficiente para fazer o coração bater, traz grandes benefícios à saúde, incluindo mais energia.

Benefícios do exercício na menopausa

  • Aumenta a função cardiorrespiratória. Se feito regularmente, reduz os riscos metabólicos associados ao declínio do estrogênio. Aumenta o HDL, reduz o LDL, triglicerídeos e fibrinogênio. Além disso, reduz do risco de hipertensão, ataques cardíacos e derrames.
  • Cria déficit calórico e minimiza o ganho de peso na meia-idade.
  • Aumenta a massa óssea. O treinamento de força e atividades de impacto (como caminhar ou correr) podem ajudar a compensar o declínio da densidade mineral óssea e prevenir a osteoporose.
  • Alivia a dor lombar.
  • Reduzi o estresse e melhora o humor.
  • Ajuda a reduzir as ondas de calor, minimizando assim o “efeito dominó”.

Cada mulher experimenta a menopausa de maneira diferente. Para algumas, os sintomas são leves e passam rapidamente. Para outras, é uma explosão de ondas de calor e mudanças de humor. A adoção de mudanças no estilo de vida, com a ajuda de profissionais capacitados, como médicos, nutricionistas e educadores físicos, podem ajudar drasticamente nas mudanças que ocorrem no corpo da mulher nesta fase normal durante o envelhecimento.